A lua estava tímida. Decidir sentar na cadeira de balanço e esperar por uma possível chuva.meu humor esta azedume como sempre; e o vento gélido não cansava de me beijar.
“ALEA JACTA EST”
A frase estava indo e vindo na minha mente.
“ALEA JACTA EST”
E ela chegou de fininho trazendo consigo um cobertor xadrez; talvez uma aproximação estratégica de sua parte.
Parecia saber que eu estava alérgica a qualquer dialogo.
Teria que usar de sua inteligência para me fazer presente. Aceitei a oferta de aquecer-me.
Aproveitou então a resposta afirmativa e sentou-se ao meu lado, no chão, abraçando as pernas, deixando o queixo de encontro com os joelhos.
O silencio predominou durante vários minutos. Ela não se rendia ao frio e este parecia maltratá-lo.
O barulho uníssono dos sininhos de sua roupa era-me insuportável e irritava profundamente os tímpanos.
Mesmo que eu ordenasse, o curinga jamais iria despir uma só peça de seu traje.
E isto eu admirava.
Ela sabia quem era sua identidade complexa não lhe era por misteriosa ou indecifrável;
Uma curinga sempre é alguém que se adapta a algum habitat, nunca deixa moldar-se por ele.
É uma herética obstinada.
Instiguei então a frívola conversa, pensando bem, poderia ser divertido arrancar confissões de uma mera desconjurada que viveu na corte.
- lembra-te tu, de alguma peripécia vivida em corredores monárquicos?
Apesar do desdém e do escárnio que cintilavam em seus olhos, pensou pouco e respondeu sem hesitar:
- Na corte, sou considerado uma palhaça sem graça, cujo talento é engendrar calunias insolúveis.Aos gostos de senhores reais, sou mequetrefe, bode expiatório e única razão para sorrir na ilusão de que são superiores.
Gosto que por mim é insoso. Sorriso que para mim é idiotice arrancada da avarenta ignorância monarquial.
Como cadela sem dono e esplendida professora de papagaios que sou, fui presente em reuniões de várias naturezas, muitas, por vezes secretas... Estava ali absorvendo o que poderia futuramente me beneficiar, e meu paradeiro sequer era sentido... uma “boba” apenas.
Cada parte de mim respira informações.
O que minha mestra quer saber?
(CONTINUA)...
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
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Um comentário:
Oi, aqui quem vos fala é a moça do Galpão! que supresa ter um comentário tão gentil e delicado de alguem que nem conheço. Muito obrigada pelos elogios e por me lembrar de consertar a vidraça..rs.
Acabei dando uma espiada no seu blog, achei barbaro isso:"Se eu pudesse aprimorar o corpo humano, a primeira coisa que eu faria seriam as pálpebras auditivas. O cretino começa a falar e você, sorrindo, educada, fecha discretamente os ouvidos." colocarei o seu nos meus favoritos tamb.Abraçoes e obrigada novamente.
Mina Leão
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