sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ariadne, a moça da foto,e minha visitante da primavera...


“-Mestra, mestra!
Começou a boba a gritar de forma irritante e incansável.

-Há uma moça lá fora! Quem é mestra? Como é o nome dela...?

Larguei o tricô que estavas a fazer e levantei-me da cadeira de balanço, olhei pela janela e sorri; Não via um rosto amigo há muito tempo.

-Ariadne, este é o nome dela, sua desatinada; Agora venha e ajude-me, pegue minha bengala, rápido, deixe de jericada.

Abracei Ariadne de forma carinhosa, dei-lhe um beijo na face rosada.
Estava muito feliz, mas não demonstrava tanta emoção.
Após cumprimentos, a menina querida sentou-se comigo na varanda e de imediato iniciou a prosa:

- Trago-lhe um presente!

Neste momento a “espiã” que estava a rondar conversa alheia, arregalou os olhos para a visitante. Mas encurvou-se quando percebeu que para ti, meus olhares severos censuravam sua curiosidade.

-Sim, querida, o que há de ti, para esta cansada idosa?

Então Ariadne tirou do bolso, uma folha de papel...
Era o primeiro poema que eu ganharia naquela primavera...
Falava sobre como um passarinho se sentia em relação à vida e seus perigos;
Enquanto o lia, pude lembrar de como é inocente a juventude sem o conhecimento do caminho e da real situação da trilha, podendo assim levar a lugar nenhum.
Suspirei quando percebi que a destemida boba estava a espreitar meu poema.
Mas ela tinha a natureza que a muito tempo atrás eu desejava para mim.”
Compartilho agora o poema de Ariadne.

Memórias de um passarinho,
Voando na noite,
Observando as estrelas
Ou apenas dormindo!

Fugindo das corujas...
Protegendo e aquecendo seu ninho.
Acordo com medo, por ouvir barulho...
Não... Não e só o cachorro... Ufá!

Amanhece o dia, o primeiro canto vai pra Deus!
Saio do meu aconchegante ninho.
A procura de encher minha barriquinha.
Encontro algo jogado pela calçada.

O que fazer? Descer lá é pegar?
Ou ir para algum lugar menos movimentado?
Tome coragem passarinho!Que foge tão bem das corujas à noite!
Então ta! Vou lá, pego e saio dali rapidinho.

Demorei tanto em minhas estratégias,
Que quando desci encontrei uma pomba... Que não queria dividir por chegar primeiro!
Começamos a negociar aquele pequeno pedaço de pão.
Falei ao Sr.Pombo que poderíamos dividir e sorriu!E me disse vai ter que lutar por ele.

De repente chegaram mais pombos...
Agora só sobrou um pedacinho, pense passarinho...
Fingi sair derrotado, triste por não ter conseguido.
Subi o mais alto que consegui e dei um rasante sobre todos e apanhei o pão.

Fui para casa todo feliz!
Tarefa completa!Amanha e outro dia...
Adoro voar no céu azul.
Pois vejo de cima tudo, todas as cores...

Só tenho que tomar cuidado com os gaviões!
Esses sim são perigosos, não quero virar refeição!Pois quando o vejo aviso a todos!
Daí todos ficam escondidos e caladinhos.
Esperando ele passar!

Opa! Quase esqueci das pedras voadoras que vem dos meninos.
Mas e só não vacilar,
E aquelas gaiolinha que convidam os famintos, nos pegam e muitos morrem.
Voa passarinho, o seu dia está acabando!

Ta quase na hora de dormir.
Tomará que um dia, inventem um espanta coruja... rs!
Mais a vida é assim!
Um dia, estamos vivos ou estaremos lutando por ela!

Ariadne c Maciel

Continua...

Um comentário:

Anônimo disse...

Pq eu não posso twittar???

É muito bom, muito BOM.

bjs & abs
http://mestreurbano.wordpress.com